Tamanho do mercado e o lugar do Brasil no mundo
O investimento de impacto se tornou uma categoria de ativos consolidada no mundo, e o GIIN estima US$ 1,571 trilhão em ativos de impacto sob gestão (2024).1 Na mesma estimativa do GIIN, a América Latina e o Caribe (incluindo o México) representam \~1% dos ativos de impacto sob gestão no mundo, o que evidencia uma lacuna estrutural de alocação diante da necessidade e da oportunidade.1
No Brasil, um dado de “tamanho de mercado” muito citado vem do mapeamento da ANDE, que estimou R$ 18,7 bilhões em ativos de investimento de impacto sob gestão em 2021.2 Pelo câmbio médio de 2024 (R$ 5,392/US$), isso equivale a cerca de US$ 3,5 bilhões, ou \~0,2% do total global do GIIN em 2024 (uma estimativa de ordem de grandeza, já que as bases de dados usam metodologias e anos diferentes).1–3
Quem investe e como o capital se estrutura
O capital de impacto no Brasil combina:
- Gestoras especializadas em impacto (venture capital, growth e crédito privado), incluindo pioneiras como a Vox Capital.4
- Participação de investidores institucionais e de alta renda do país, que cresceu junto com a adoção mais ampla de ESG no mercado de capitais brasileiro e com a aproximação entre filantropia e investimento.5, 6
- Instituições de financiamento ao desenvolvimento e atores multilaterais (sobretudo em clima, Amazônia e infraestrutura), muitas vezes combinados com instrumentos de mitigação de risco para atrair coinvestimento privado.7
Uma marca do mercado brasileiro hoje é o impulso às financiamento misto: capital público ou concessional estruturado para reduzir o risco ou o custo do capital, de modo que volumes maiores de dinheiro privado possam participar. O Eco Invest Brasil é um exemplo dessa abordagem, criado explicitamente para mobilizar capital privado (inclusive internacional) para projetos sustentáveis.8
Instrumentos: de fundos de venture capital a títulos e marcos públicos
O investimento de impacto no Brasil vai de participações em estágio inicial a financiamento de projetos, mas dois instrumentos “ponte” ganham cada vez mais visibilidade:
- Títulos soberanos sustentáveis: o Brasil emitiu seu primeiro Título Soberano Sustentável em novembro de 2023, no âmbito de seu Arcabouço Brasileiro para Títulos Soberanos Sustentáveis, com relatórios pensados para seguir as normas de transparência do mercado.