Brasil · Economia
Tradução feita por IA a partir do original em inglês. Em caso de divergência, vale o original.
Verificado na fonte. Cada frase remete a uma fonte citada e foi conferida com ela. Verificado em 29 de setembro de 2026.
A desigualdade de renda continua acentuada no Brasil, que registra 51,6 no índice de Gini do Banco Mundial, o que o coloca entre os países mais desiguais do mundo.1 Seu mercado de trabalho se divide entre empregos formais, que garantem direitos como férias remuneradas e "13º salário"2, e o trabalho informal, que respondeu por 39,0% da ocupação em 2024.3 O Bolsa Família, programa federal de transferência de renda para famílias de baixa renda que exige frequência escolar e vacinação em dia das crianças4, atendeu mais de 20,8 milhões de famílias naquele ano.5
Os últimos anos trouxeram ganhos reais. Em 2023, o déficit habitacional — medida de quanto falta para o Brasil abrigar adequadamente todas as famílias — caiu para 5,97 milhões de moradias, o menor nível desde o início da série, em 2016.6, 7 A parcela da população abaixo da linha de pobreza de US$ 6,85 por dia, usada pelo Banco Mundial para países de renda média-alta como o Brasil, caiu de 21,7% em 2023 para 20,9% em 2024. Em 2024, a economia também gerou 2,8 milhões de empregos.8
Ainda assim, persiste uma lacuna no poder de compra. Em agosto de 2025, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) estimou que um salário capaz de cobrir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas equivalia a cerca de 4,7 vezes o salário mínimo.9 Em agosto de 2026, um recorde de 82% das famílias tinham dívidas10, e numa pesquisa de maio de 2026, 46% dos brasileiros disseram que a economia havia piorado no último ano.11
O sustento das pessoas no Brasil costuma ser marcado pela divisão entre trabalho formal e informal. Trabalhadores com carteira assinada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) têm direito a férias remuneradas, 13º salário e FGTS, além de proteção social como seguro-desemprego e aposentadoria.2
Uma pesquisa domiciliar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), estimou a taxa anual de informalidade em 39,0% em 2024, abaixo dos 39,2% de 2023.3 No primeiro trimestre de 2026, ela havia caído para 37,3%.12 O IBGE considera informais os empregados e trabalhadores domésticos sem carteira assinada, além de empregadores e trabalhadores por conta própria sem CNPJ.13 Esses trabalhadores não têm direito garantido a férias remuneradas, contribuição previdenciária, FGTS ou 13º salário.2, 14
A informalidade se distribui de forma desigual pelo país. É mais alta no Maranhão (57,6%), no Pará (56,5%) e no Amazonas (53,2%), e mais baixa em Santa Catarina (25,4%), no Distrito Federal (28,1%) e em Mato Grosso do Sul (29,8%). Também é desigual por raça. No início de 2026, a taxa era de 41,6% entre trabalhadores pardos e de 40,8% entre trabalhadores pretos, contra 32,2% entre trabalhadores brancos.15
O trabalho por plataformas é a fronteira mais recente, com cerca de 2,2 milhões de pessoas trabalhando como motoristas ou entregadores de aplicativos.16 Um projeto de lei do governo de 2024 manteria os motoristas de aplicativo como autônomos, mas exigiria contribuição previdenciária de 7,5% de sua remuneração, com as plataformas contribuindo com 20%. O projeto travou diante da resistência no Congresso e de parte dos motoristas, e foi engavetado.17 Um projeto mais amplo, que abrange motoristas e entregadores, ainda aguardava votação na Câmara dos Deputados no início de abril de 2026.18
O desemprego ficou em média em 6,6% em 2024, a menor média anual desde o início da série do IBGE, em 2012.3, 19 No último trimestre de 2024, havia caído para 6,2%, número que o Banco Mundial cita ao lado de 2,8 milhões de novos empregos e de um crescimento de 4,8% nos salários reais naquele ano.8, 19 O emprego formal, medido à parte, cresceu cerca de 1,6 milhão de vagas em 2024.20
A taxa de subutilização, mais ampla, que também conta quem trabalha menos horas do que gostaria e quem quer trabalhar mas não está procurando ativamente, foi de 16,2% em 2024.3, 21 O desemprego depois atingiu a mínima recorde de 5,1% no último trimestre de 2025 e ficou em 5,4% no segundo trimestre de 2026, o menor da série para esse período.22
Os trabalhadores informais participaram desses ganhos. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostram que a renda dos trabalhadores por conta própria e dos empregados sem carteira cresceu mais rápido na comparação anual do que a dos outros grupos, 6% e 9,9%, respectivamente.23
O aumento do endividamento das famílias atenua o quadro. Em agosto de 2026, um recorde de 82% das famílias tinham dívidas, o sétimo mês seguido de recorde, e 38,8% das famílias com renda de até três salários mínimos estavam com pagamentos em atraso.10, 24 A Confederação Nacional do Comércio (CNC) associa a tendência aos juros altos desde meados de 2025.24
O humor da população é mais pessimista que os números principais. Em maio de 2026, 46% dos brasileiros disseram ao instituto Quaest que a economia havia piorado no último ano, contra 22% que viram melhora, com os preços dos alimentos entre as principais queixas.11 As opiniões se dividem fortemente segundo a política. Numa pesquisa Datafolha de março de 2026, 77% dos eleitores de Flávio Bolsonaro disseram que a economia havia piorado, contra 14% dos eleitores de Lula.25
Os pequenos negócios responderam por boa parte da criação de empregos. As micro e pequenas empresas geraram sete de cada dez empregos criados em 2024.26 O agronegócio responde por 30% do emprego, e o Brasil é o maior exportador mundial de soja e carne bovina27, além de café.28
O Banco Mundial calcula o índice de Gini do Brasil em 51,6, entre os mais altos do mundo.1 A versão do próprio IBGE, numa escala de 0 a 1, subiu ligeiramente em 2025, da mínima recorde de 0,504 para 0,511, enquanto a renda dos 10% mais ricos cresceu 8,7%, contra 3,1% para os 10% mais pobres.29, 30 O número do IBGE segue bem abaixo do nível de 2019, de 0,543.29
Desde 1995, a renda domiciliar per capita subiu cerca de 70% e o índice de Gini caiu quase 18%, segundo dados do IBGE divulgados pela Agência Brasil.31 O IPEA conclui que os ganhos distributivos recentes vieram, em proporções aproximadamente iguais, de um mercado de trabalho mais forte e da expansão das transferências sociais.32
O Bolsa Família, programa de transferência de renda condicionada criado em 200433, transferiu mais de R$ 168,3 bilhões (cerca de US$ 31,4 bilhões) a famílias em situação de necessidade em 2024, segundo balanço de meados de dezembro daquele ano.34 O número mensal de famílias atendidas passou de 14,2 milhões em janeiro de 2021 para 20,5 milhões em janeiro de 20251, e o governo informa que o programa atendeu mais de 20,8 milhões de famílias ao longo de 2024.5
O Banco Mundial descreve dois efeitos do programa. Ele reduz a pobreza no presente e incentiva as famílias a investir nos filhos, diminuindo a pobreza na geração seguinte.35 O IPEA observa que o modelo brasileiro de proteção social privilegia as transferências de renda em relação aos serviços sociais, ao mesmo tempo que reduz a desigualdade num mercado de trabalho muito desigual.36
O programa continua politicamente disputado. Críticos, entre eles os presidentes de várias das maiores construtoras do Brasil, argumentam que as famílias correm o risco de perder o benefício ao aceitar empregos formais, o que, segundo eles, empurra trabalhadores para a informalidade e agrava a falta de mão de obra.37 Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), por outro lado, constatou que 64% dos beneficiários deixaram o programa em até dez anos, à medida que sua renda subiu e eles entraram no mercado de trabalho.38
O déficit habitacional do Brasil mede quanto falta para o país abrigar adequadamente todas as famílias. Ele conta as famílias que vivem em moradias improvisadas ou precárias, as famílias obrigadas a dividir uma casa e os inquilinos de baixa renda que gastam 30% ou mais da renda com aluguel.7 Por essa medida, o déficit caiu para 5,97 milhões de moradias em 2023 (ou 7,6% dos domicílios ocupados), o menor nível desde que a Fundação João Pinheiro começou a medi-lo, em 2016.6, 7
A composição do déficit também mudou. O aluguel é hoje o principal fator, com 3,66 milhões de domicílios, ou 61,3% do déficit habitacional total, contados porque o aluguel consome uma parte excessiva de sua renda.7
O déficit é só parte do quadro. Outros 26 milhões de domicílios, 41,2% das moradias de construção sólida nas cidades brasileiras, tinham pelo menos uma forma de inadequação em 2022.39 A maioria dos brasileiros vive em imóveis próprios. Em 2022, 72,7% moravam em um imóvel de propriedade de alguém do domicílio, e 20,8% pagavam aluguel.40
O desafio de longo prazo para o sustento dos brasileiros não é só reduzir a pobreza, mas promover a inclusão produtiva. Como os ganhos recentes vieram em proporções aproximadamente iguais de um mercado de trabalho mais forte e das transferências de renda32, ampliar o emprego formal, elevar a produtividade41 e estender a proteção social a novas formas de trabalho, como tenta o projeto de lei sobre trabalho por aplicativos em debate18, poderia reduzir ainda mais a desigualdade.
A demografia abre uma janela. A ONU projeta que a população brasileira atinja o pico entre 2025 e 2054, enquanto a parcela de brasileiros em idade ativa ainda cresce. Essa mudança demográfica pode ser uma oportunidade se vier acompanhada de uma boa política econômica e social.42